

A Câmara Municipal da Trofa realizou, no passado sábado, 14 de julho, a cerimónia simbólica de recolocação de uma placa que representa a memória da Doação da Escola Cerro 1, por Joaquim Franco Ferreira Lopes à comunidade, na Freguesia de Guidões.
Esta cerimónia permitiu “repor a justiça” tal como defende o Presidente da Câmara Municipal da Trofa, Sérgio Humberto, que considera que “a Câmara Municipal da Trofa deve honrar a memória do Benemérito Joaquim Franco Ferreira Lopes, que doou a escola e o seu mobiliário, à freguesia, em 1927”.
A 1ª. placa de reconhecimento desta doação na escola,
remonta a 23 de maio de 1934, data em que foi aprovada em Reunião de Câmara, na
ocasião, do Concelho de Santo Tirso.
No entanto, com o passar dos anos e com as sucessivas obras
de requalificação que a escola sofreu, a “placa alusiva à doação” desapareceu.
Assim, dando resposta a um pedido da família do benemérito
Joaquim Franco Ferreira Lopes, o Presidente da Câmara Municipal da Trofa
considerou que “ser altura de Guidões” e da Trofa reconhecerem o contributo
deste “grande Trofense, que apesar de emigrado no Brasil, nunca esqueceu a sua
terra e os seus!”.
A atual escola básica EB1 de Cerro 1 passa agora a intitular-se
EB1/JI Joaquim Franco Ferreira Lopes, integrando o Agrupamento de Escolas
Coronado e Castro.
Joaquim Franco Ferreira Lopes é oriundo de uma família com
uma profunda ligação à Freguesia de Guidões.
“A Casa Lopes situa-se em Guidões, no Lugar da Igreja, nome
que advém do facto de a casa estar instalada onde, no passado, existiu a igreja
primitiva de Guidões.
A família Lopes dedicou-se, sobretudo, à agricultura sendo a
produção de milho, batata e
vinho as atividades
mais significativas.
Da Casa Lopes emigraram para o Brasil vários elementos,
segundo Abade de Sousa Maia no livro “Memórias de Guidões” teriam sido cinco os
irmãos Ferreira Lopes a emigrar para este país, dos quais se destaca Joaquim Franco
Ferreira Lopes, que fez fortuna com o comércio e a exportação de açúcar.
Joaquim Franco Ferreira Lopes contribuiu financeiramente
para a construção de várias instituições dedicadas ao progresso e bem estar da população
no Brasil como na sua terra Natal das quais se destacam o Hospital Português do
Recife em Pernambuco e a escola de ensino primário de Guidões a qual herdou o
nome da família.
Esta última tem um significado especial pois, segundo
familiares próximos, Joaquim Franco Ferreira Lopes dizia em criança, que se fosse
rico mandaria construir uma escola em Guidões, desejo que viria a concretizar
em adulto. Joaquim Franco Ferreira Lopes faleceu no Brasil, mas por vontade
manifestada em vida, o seu corpo foi transladado para o cemitério de Guidões.
Dos elementos da família que emigraram nem todos
regressaram, tendo alguns fixado residência no Brasil.
A Casa Lopes teve um papel importante na construção da atual
Igreja Paroquial de Guidões, que no ano de 1880 veio substituir a antiga e primitiva
igreja, que ficava contigua à propriedade da Casa Lopes e que há muito se
debatia com a falta de espaço e o difícil acesso, condições que levaram à sua inevitável
reformulação.
A Casa Lopes contribuiu financeiramente para a realização da
obra, à semelhança de outras famílias de Guidões.
No local onde existiu a primitiva igreja e, que atualmente é
o jardim da Casa Lopes, mandou, Agostinho Ferreira de Castro Lopes, erigir um
cruzeiro no ano de 1942”.