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CÂMARA MUNICIPAL PROMOVE ARTE SACRA NO AEROPORTO FRANCISCO SÁ CARNEIRO
30 de Junho de 2020
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ENTRE 7 E 14 DE JULHO, NA LOJA INTERATIVA DE TURISMO DO AEROPORTO

Entre 7 e 14 de julho, a Câmara Municipal da Trofa leva a arte sacra feita no concelho até ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro. A promoção será dinamizada na Loja Interativa de Turismo do Aeroporto, representada pela arte e saber de um dos maiores santeiros da terra, Boaventura Matos.

A promoção da arte santeira, com origem na freguesia de S. Mamede Coronado, leva o nome do Município da Trofa ao Aeroporto do país com maior área de influência.

De recordar que os Santeiros do Coronado são candidatos às 7 Maravilhas da Cultura Popular, sendo finalista regional pelo distrito do Porto.

Foi em São Mamede do Coronado (Trofa), que em 1920, a produção de imaginária religiosa iniciou um novo ciclo em Portugal. Nesse ano, o mestre santeiro José Ferreira Thedim (1891-1971), descendente de uma família local, com tradição na arte, executou aquela que viria a ser a imagem da Capelinha das Aparições, no Santuário de Fátima.

Esta peça, (hoje uma das imagens religiosas mais famosas do mundo) impressionou os crentes, gerando um novo tema iconográfico que, mesmo antes da aprovação oficial das aparições pelas autoridades eclesiásticas em 1930, já estava difundido por todo o país.


A HISTÓRIA DO SANTEIRO BOAVENTURA MATOS

Boaventura Pereira Matos nasceu a 1 de maio de 1931, é especializado na pintura de arte sacra e dirige a sua oficina no lugar de Água Levada, em São Mamede do Coronado.
Aos treze anos iniciou a aprendizagem na oficina de José Ferreira Thedim, com o qual tinha laços de parentesco. Provavelmente, devido a essa relação familiar não teve de pagar para aprender, ao contrário da maioria dos aprendizes que passam pela oficina.

Iniciou a sua aprendizagem na pintura, apesar de também gostar de escultura. Porém, como no momento em que entrou para a oficina havia falta de mão- de-obra na pintura, optou por esta. Embora trabalhasse no espaço da oficina de José Ferreira Thedim, o seu patrão era o pintor Rafael Pereira Valente, a quem Thedim entregava as obras de pintura.
Poucos meses depois, o seu patrão decidiu deixar a oficina de Thedim e estabeleceu-se por conta própria, em Vila Nova de Gaia, levando-o consigo.

Aí trabalhou durante dois anos, tendo regressado à oficina de origem, desta vez para trabalhar diretamente com José Ferreira Thedim, onde permaneceu até 1962
Fora do horário de trabalho, como era comum no meio, pintou obras para outras oficinas. Trabalhou, por exemplo, para o irmão do mestre, Guilherme Thedim, que se havia instalado em Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos.

Boaventura Matos, já casado, tinha ambições de trabalhar por conta própria. Sabendo desta intenção, o pintor Joaquim Oliveira, que tinha sido seu colega na oficina Thedim e se havia instalado por conta própria em casa, no lugar de Água Levada, propôs-lhe sociedade. Nesse espaço, que empregava vários funcionários, executavam trabalhos de pintura para as oficinas de escultura das redondezas, em particular para a de José Ferreira Thedim, a de Avelino Moreira Vinhas e a de Crispim Monteiro. Nos anos oitenta, Boaventura Matos cessou a sociedade com Joaquim Oliveira para fundar a firma Thedim e Matos.
O seu sogro, Amadeu Ferreira Thedim, foi um dos principais escultores da oficina de José Ferreira Thedim, onde trabalhou até à morte do mestre, de quem era irmão. Boaventura Matos, aproveitando os conhecimentos do sogro, abriu, com este, uma oficina de escultura e pintura que ainda se mantém. Atualmente, Boaventura Matos , trabalha com Jorge Brás, na escultura, e Fernando Duarte na pintura.
Além da técnica da pintura, também se interessou por aprender o estofo.

Dada a dimensão do seu trabalho, ganhou a confiança do Santuário de Fátima, tendo intervencionado a imagem da Virgem Peregrina. Os seus principais clientes são as oficinas de escultura, embora trabalhe diretamente para o cliente final. O Santuário de Fátima ainda se mantém como um dos principais destinos da sua obra.
Ainda hoje, nenhuma obra sai da oficina sem passar pela sua observação e faz questão de pintar todos os rostos.
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